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Mercado à espera de um final feliz

09/03/2010

Vai semana, vem semana e o mercado continua à espera de uma definição quanto aos problemas financeiros da Grécia. No fim de semana, surgiu a ideia de um Fundo Monetário Europeu para socorrer os países da zona do euro em dificuldade. Essa possibilidade animou o mercado não apenas pela Grécia, mas também por outros países com problemas e que são ainda mais importantes, como Portugal e Espanha. A premiê da Alemanha, Angela Merkel, se mostrou favorável à criação do Fundo, mas lembrou que detalhes sobre como ele será financiado pelos países da União Europeia e como irá ajudá-los precisam ser bem discutidos.

Já com relação a uma possível ajuda individual, tanto a Grécia quanto os possíveis países que dariam socorro continuam fazendo jogo duro. O presidente do Banco Central da Grécia, George Provopoulos, disse que não pediu ajuda internacional. Com um discurso bem afinado, a premiê alemã também afirmou que a Grécia não passou o chapéu pedindo dinheiro aos outros. Um pouco mais flexível para tirar a mão do bolso, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, reforça que os países da zona do euro estão prontos para ajudar a Grécia.

Em meio a essa expectativa, o Índice Bovespa oscilou ontem entre o campo positivo e o negativo, fechando em baixa de 0,39%, aos 68.575 pontos. O superintendente de renda variável do Itaú Unibanco, Walter Mendes, acredita que a história da Grécia terá um final feliz, o que deve ocorrer o quanto antes. Se há o lado negativo de o país ameaçar a saúde de uma região inteira por fazer parte da zona do euro, há o aspecto positivo de mostrar às demais nações da União Europeia a necessidade de socorrer o parceiro que se encontra em maus lençóis. "A participação da Grécia na zona do euro dá o sentido de urgência ao processo de salvação", diz Mendes.

Ele concorda que os países estão fazendo uma espécie de jogo duro com a Grécia, pedindo, por exemplo, uma redução drástica no tamanho do déficit fiscal sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Mas acha que eles acabarão socorrendo a nação a qualquer momento. "Não há outra opção, eles terão de fazer isso em nome da preservação da estabilidade da região e da moeda (o euro)", explica o executivo. Com essa solução, que parece favas contadas, Mendes acredita que o mercado deve retomar o seu processo original de valorização.

No caso da Bovespa, essa alta não será muito grande, uma vez que a maior parte da queda do risco país e da recuperação dos múltiplos das companhias brasileiras já ocorreu. "A grande parte do processo de convergência do risco país, caindo, e dos múltiplos das empresas, subindo, já foi", diz Mendes. "Portanto, a partir de agora, as ações vão subir refletindo o crescimento nos resultados dessas companhias." Ele acredita que, neste ano, os lucros devem subir, em média, 20%, ou seja, é razoável esperar que os papéis se valorizem próximo desse percentual.

Bons sinais

Apesar do tom incerto do mercado ontem, o Ibovespa conseguiu continuar acima dos 68.200 pontos, considerado um nível de resistência importante, segundo o economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira. O mesmo se vê com o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York (Nyse) , acima da marca dos 10.350 pontos. O indicador fechou ontem aos 10.552 pontos, em baixa de 0,13%. "Esse é um sinal interessante de que a recuperação vem ganhando consistência tanto no mercado brasileiro quanto no americano", diz Bandeira. Um outro dado que conta a favor desse otimismo é a volta do investidor estrangeiro. No mês, até o dia 4, o saldo líquido (diferença entre compras e vendas) de estrangeiros está positivo em R$ 719 milhões. De qualquer forma, o saldo no ano ainda é negativo em R$ 2,634 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

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