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Financiamento farto eleva preço de imóveis

11/01/2010

A expansão do crédito imobiliário deve levar à valorização nos preços dos imóveis nas principais regiões metropolitanas do país, especialmente em locais com potencial limitado de construção, movimento que aconteceu na Europa e nos EUA no fim dos anos 90 e início da década, segundo analistas.

Isso porque a facilidade no financiamento permite que um número maior de famílias consiga comprar um imóvel, cuja oferta pode ser limitada nas regiões mais disputadas.

Prevendo um aumento nos preços dos terrenos, as principais construtoras do país buscaram recursos no mercado financeiro para prospectar oportunidades nas principais cidades brasileiras.

Nos últimos três anos, esse aquecimento levou a um aumento médio de 35% nos preços dos imóveis novos na região metropolitana de São Paulo, o que fez com que apartamentos em localidades como Osasco (Grande São Paulo) ficassem hoje com o preço que um imóvel em Pinheiros (zona Oeste), de mesma metragem, tinha há três anos, segundo a Embraesp, consultoria especializada em avaliação de imóveis.

"Há um pouco de exagero em se pensar que Osasco tem o preço de Pinheiros três anos atrás. São regiões que passaram por transformações. O metrô chegará a Pinheiros e isso valoriza os imóveis. Não quer dizer que daqui a três anos Osasco vai ter o preço atual de Pinheiros", disse Luiz Paulo Pompeia, economista da Embraesp.

Para o economista, as construtoras tendem a suprir a demanda nas principais regiões, o que pode conter os preços em caso de excesso de oferta.

Na avaliação da Embraesp, o programa Minha Casa, Minha Vida deverá aumentar em 40% os novos empreendimentos lançados na região metropolitana de São Paulo, local que tem impacto limitado devido ao valor máximo de R$ 130 mil.

Especialista na avaliação de imóveis, Pompeia não sabe afirmar qual impacto o programa poderá ter no preço de residências populares, que poderão até cair se acontecer um eventual excesso de oferta em algumas localidades. O mesmo poderá acontecer com imóveis de maior valor, se surgirem apartamentos populares oferecendo conforto semelhante.

"A valorização dos imóveis novos demora para chegar nas residências usadas. Quando falamos em imóveis, temos de lembrar que todos os movimentos são lentos. Nada acontece da noite para o dia. O que a gente sofreu neste ano permitiu um grande ajuste no mercado. Nos dois últimos anos antes da crise, a gente via lançamentos de quatro dormitórios em todo canto. Hoje, a maior parte das construtoras que estão indo para a Bolsa está focada na baixa renda. O mercado vai para um caminho mais maduro e mais consistente", disse.

Fonte: Folha de São Paulo

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